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Perícia da Polícia Civil reconstrói dinâmica e aponta acidente como hipótese predominante em morte

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A perícia técnica realizada pela PCRR (Polícia Civil de Roraima) apontou que a morte do indígena Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos, pode estar relacionada a um acidente de trânsito seguido de desorientação em área de mata, no município de Amajari, após dias desaparecido, em fevereiro deste ano.

A conclusão foi apresentada na manhã desta sexta-feira, 20, em reunião com lideranças indígenas, representantes do CIR (Conselho Indígena de Roraima), da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e advogados, momento que foram expostas as hipóteses de acidente de trânsito –considerado o cenário predominante pela perícia, representando cerca de 80% da análise dos vestígios–, e homicídio, que segue sob investigação.

O laudo integra um conjunto de análises conduzidas de forma integrada entre o Instituto de Criminalística, o IML (Instituto de Medicina Legal) e a odontologia legal, com base em vestígios coletados no local, exames necroscópicos e reprodução simulada dos fatos.

Esta foi a segunda reunião promovida pela Polícia Civil em um intervalo de dez dias com lideranças indígenas para a apresentação de resultados técnicos.

Segundo o diretor do Instituto de Criminalística, Sttefani Ribeiro, a investigação integrada utilizou técnica de gradação de hipóteses, resultando em duas possibilidades: acidente e homicídio, sendo a primeira a mais consistente.

“Os vestígios de maior peso apontam para a possibilidade de acidente. No entanto, não conseguimos descartar de forma taxativa a hipótese de homicídio, que ainda persiste, embora com menor grau de plausibilidade”, explicou.

Dinâmica reconstruída

De acordo com a perícia, Gabriel esteve em uma comunidade durante a madrugada e, ao sair, seguiu pela rodovia RR-203. Na altura do quilômetro 26, há indícios de que ele sofreu um acidente enquanto conduzia uma motocicleta.

Após a queda, a vítima teria caído sobre um ninho de formigas tucandeiras –conhecidas por ferroadas extremamente dolorosas– o que pode ter provocado dor intensa, pânico e desorientação.

“Em razão da dor, do desespero e do pânico, acabou se desorientando e adentrando a mata, mesmo estando próximo da rodovia. Há indicativos de que ele caminhou para o local onde tinha uma árvore frondosa, com sombra, a única que existia nas proximidades, onde posteriormente foi localizado”, detalhou o perito.

Exames médico-legais e identificação

O exame necroscópico foi considerado complexo devido ao avançado estado de decomposição do corpo, localizado nove dias após o desaparecimento.

Segundo o médico-legista Deyne Morais, a causa da morte foi classificada como indeterminada. “Não encontramos fraturas ou lesões traumáticas ósseas. Identificamos algumas lesões na pele, atribuídas à fauna local, e duas lesões na região cervical que inicialmente geraram dúvida”, explicou.

Essas lesões, inicialmente suspeitas, foram posteriormente descartadas como causa de morte.

“Uma delas tinha zona escoriativa, o que levantou a hipótese de ação cortante. No entanto, após análise conjunta com a perícia criminal, foi possível esclarecer.que essas lesões não foram produzidas em vida”, afirmou.

Devido à decomposição, a identificação não pôde ser feita por impressões digitais, sendo realizada com 100% de precisão por meio de odontologia legal, com base na arcada dentária e registros odontológicos.

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