O processo de adaptação à Reforma Tributária já faz parte da rotina de empresas e profissionais que atuam na área contábil, jurídica e administrativa. O tema foi discutido na noite desta quinta-feira (13), durante a 5ª edição da Jornada da Reforma Tributária, promovida pelo Sebrae Roraima. O encontro ocorreu no Auditório Monte Roraima e reuniu empresários e profissionais interessados em entender as mudanças que podem afetar os negócios a partir de 2027.
Com o tema “Setembro Decisivo: Qual Modelo do Simples Nacional Escolher para 2027?”, a programação teve como principal atividade a palestra do advogado tributarista Ângelo Peccini Neto, que apresentou as diferenças entre o modelo tradicional do Simples Nacional e o chamado modelo híbrido.
A discussão ganhou importância porque setembro de 2026 será um período de decisão para empresas enquadradas no Simples Nacional. A escolha entre os modelos pode trazer reflexos na apuração dos tributos, no aproveitamento de créditos e, consequentemente, na formação de preços e nas relações comerciais.
O diretor-superintendente do Sebrae Roraima, Emerson Baú, destacou que a Reforma Tributária exige das empresas uma mudança na forma de pensar a gestão e a formação de preços. “A formulação de preço já não vai ser mais como é hoje. Ela vai ter que ser alterada e quem não se adaptar nesse momento vai ter dificuldade”, afirmou.
O diretor técnico do Sebrae Roraima, Doan Rabelo, também ressaltou a importância da aproximação entre profissionais, empresários e instituições diante das mudanças. “Quanto mais informação você tem, mais informação você precisa ter para que tome decisões benéficas para quem compra, para quem vende e para quem está nesse processo”, destacou.
Conhecimento para a tomada de decisão
A analista técnica do Sebrae Roraima, Adlany Oliveira, explicou que a Jornada da Reforma Tributária vem sendo construída desde fevereiro, com uma série de encontros voltados aos impactos da nova legislação sobre diferentes setores. Nesta edição, a jornada deu ênfase a uma escolha importante que deverá estar no radar dos empresários nos próximos meses.
“Principalmente os empresários terão que escolher qual modelo de Simples Nacional vão aderir para o próximo ano. A gente, enquanto Sebrae, traz conhecimento e informação para dar segurança aos empresários sobre quais medidas eles vão tomar”, explicou.
Reforma Tributária
Durante a palestra, Ângelo Peccini Neto apresentou situações em que a escolha de um modelo ou outro pode fazer diferença para o negócio. De acordo com o especialista, a decisão precisa considerar as características de cada empresa. Assim como, os produtos ou serviços comercializados e, principalmente, o perfil dos clientes atendidos.
“A reforma tributária é uma constância que não para de crescer e se desenvolver. Nós temos ainda muitos pontos para definir. E um deles é, neste momento, a escolha para aqueles que são habitantes do Simples Nacional. De fazer a opção entre se manter no Simples tal como ele é ou optar pelo Simples apelidado de híbrido”, explicou.
Conforme o especialista, no modelo tradicional a empresa continua concentrando o recolhimento dos tributos em uma única guia. Já no modelo híbrido, parte dos tributos permanece dentro do sistema. Enquanto a outra parcela é recolhida separadamente. A diferença, no entanto, vai além da forma de pagamento. É justamente aí que, segundo Ângelo, está a importância de analisar cada empresa individualmente.
“Isso tudo não é apenas formalismo. Tem a ver com creditamentos. É preciso uma análise pontual acerca do tipo de serviço prestado, do tipo de produto a ser comercializado. E, principalmente, para qual tipo de cliente você tem em foco como cliente ideal da sua empresa”, afirmou.
Na prática, a decisão poderá interferir na maneira como a empresa calcula seus custos, define preços e negocia com seus clientes. Por isso, a recomendação é que empresários não deixem a escolha para a última hora.
Crédito de carbono também entrou na programação
Antes da palestra principal, o público acompanhou uma apresentação sobre crédito de carbono em Roraima, conduzida por Rubhí Gonçalves.
A atividade trouxe para o debate um tema relacionado à sustentabilidade e às novas oportunidades que podem surgir a partir da valorização de ações voltadas à redução de emissões de carbono, com a proposta de ampliar o acesso a informações e oportunidades relacionadas ao mercado de carbono em Roraima.
IRDT é lançado em Roraima
A programação também marcou o lançamento do Instituto Roraimense de Direito Tributário (IRDT). A instituição nasce como uma associação civil sem fins lucrativos, de caráter científico, acadêmico e institucional. Ou seja, voltada ao estudo, à pesquisa, ao aperfeiçoamento e à difusão do Direito Tributário em Roraima. A proposta é criar um espaço permanente de diálogo entre profissionais, instituições e sociedade, contribuindo para a produção e disseminação de conhecimento sobre a legislação tributária e seus impactos.
Participantes destacam importância da discussão
Entre os participantes estava Marcelo Bernardo, sócio da empresa Valurion Tax, que atua há anos na área tributária. Para ele, encontros como o promovido pelo Sebrae ajudam a aproximar o conhecimento técnico da realidade vivida pelos empresários.
“É muito importante trazer a informação para advogados, contadores e para a sociedade como um todo e dirimir qualquer tipo de dúvida”, avaliou.
Do mesmo modo, Marcelo também destacou que a experiência prática dos profissionais contribui para ampliar a discussão sobre os efeitos da Reforma Tributária no dia a dia das empresas.
Fonte: Da Redação

