A Cia Pássaro Poesia do Teatro Universitário da Universidade Federal de Roraima (UFRR) estreia na hoje,7, às 17h, a performance teatral “Bolhas”. A apresentação ocorre durante a programação do Grito dos Excluídos 2026, que s
Desenvolvida a partir das experiências vivenciadas pelos integrantes durante os ensaios, a performance aborda diversas dimensões socioculturais. Ou seja, levam as pessoas a se reconhecerem ou serem identificadas dentro de diferentes grupos sociais. De acordo com o diretor-geral da Cia Pássaro Poesia, professor Francisco Alves, a performance propõe uma reflexão sobre encontros, diálogos, conflitos e atravessamentos entre diferentes formas de pensar e viver em sociedade.
A obra também conta com a participação da professora Elimacuxi, diretora do Núcleo de Dramaturgia da Companhia, responsável pela condução dos processos relacionados à construção textual e às questões que a performance pretende levar ao público.
Processo de amadurecimento
De acordo com o diretor da companhia Pássaro Poesia, o processo de criação da performance nasceu a partir do próprio cotidiano do grupo. Assim como das inquietações apresentadas pelos atores durante os processos de ensaios.
“A partir de jogos teatrais, debates e exercícios de criação, o grupo passou a investigar o conceito de ‘bolhas sociais’. Cada ator interpreta um personagem que representa uma determinada ‘bolha’. Estabelecendo relações entre as diferentes perspectivas, que representa mais uma etapa desse processo de amadurecimento do grupo, formado majoritariamente por estudantes da UFRR. Mas também aberto à participação da comunidade. Os integrantes são de diferentes áreas de formação, como Artes Visuais, Biologia e Geologia, o que contribui para a diversidade de experiências dentro da companhia”, relata Francisco.
Teatro ocupa o espaço público
O docente destacou ainda que a escolha da rua como espaço para a estreia também faz parte da proposta artística. Segundo ele, o ambiente público possibilita o encontro entre diferentes pessoas e realidades, tornando-se um espaço simbólico para discutir as tensões presentes na sociedade.
“É na rua também que essas tensões acontecem, que é o encontro, que é essa travessia, esse caminhar onde está todo mundo disperso na vida, caminhando a partir das suas ideologias, das suas posturas políticas, das suas bolhas religiosas, das suas bolhas políticas, das suas bolhas sociais”, afirma Francisco.
O professor relata ainda que a performance chega ao público em um contexto marcado pela necessidade de fortalecer o diálogo e a escuta entre pessoas com diferentes perspectivas. No entender de Alves, o teatro pode contribuir para esse processo ao criar espaços de reflexão sobre a convivência com o outro.
Diferentes experiências no palco
“Bolhas” também aborda questões sociopolíticas e socioculturais relacionadas a gênero, raça e xenofobia. Entre os integrantes da Companhia está a atriz venezuelana, Belquiz Indalecia Villasana, estudante do curso de Artes Visuais da UFRR, que vivenciou o processo migratório e leva para a cena reflexões relacionadas à experiência de ser migrante em Roraima.
“Agradeço à universidade pela oportunidade que oferece aos imigrantes de participar e desenvolver uma carreira, por meio de um curso que nos dê melhores oportunidades. Entrei como voluntária no grupo de teatro e tem sido muito interessante. É uma obra que nos leva a várias situações da própria vida, às condições sociais. Sinto muito gosto e muita alegria em participar dessa obra. Espero que o público possa desfrutar não apenas do meu trabalho, mas principalmente do trabalho do professor, que dedicou sua vida para trazer esta obra ao público”, expressa Belquiz.
Sobre a Cia Pássaro Poesia
A Cia Pássaro Poesia integra o Programa Mosaico Cultural da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Extensão (PRAE/UFRR) e também está relacionada ao projeto de pesquisa “Cartografias do teatro e a performance em Roraima”, cadastrado na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG).
Os ensaios acontecem todos os sábados, das 10h às 12h, no Laboratório de Poéticas do Curso de Artes Visuais, no Bloco I do CCLA.
Fonte: Da Redação

