Uma família procurou o Grupo Égia de Comunicação para denunciar uma série de possíveis problemas no atendimento de um paciente no Hospital Geral de Roraima (HGR). Segundo Marly Moreira, esposa de José Inocente, de 72 anos, a família levou o paciente ao hospital após uma crise, mas ele aguardou horas por atendimento e pelos resultados dos exames.
José convive com um cisto na cabeça desde a infância, identificado anos mais tarde, e o problema teria se agravado nos últimos anos. Entre os sintomas relatados pelo paciente estão zumbido no ouvido, perda de memória, tonturas, fraqueza e episódios de desmaio.
“Muita pressão na cabeça e sinto muito cansaço, como se eu estivesse carregando peso. Muitas vezes, a cabeça começa a girar e eu tenho que deitar, se não eu caio”, relatou o idoso.
Em 2007, José passou por uma cirurgia na cabeça. Atualmente, o caso exige acompanhamento médico e, segundo a família, avaliação especializada para verificar a situação do cisto.
O exame necessário para o acompanhamento não é realizado em Roraima. Por isso, a família aguarda atendimento por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD). Segundo Marly, até o momento, existe possibilidade de agendamento do exame apenas para fevereiro do próximo ano.
“É isso que eu quero perguntar, principalmente para o secretário de Saúde e até ao Sr. governador. Uma pessoa de 72 anos, que tem esse problema seríssimo, que eu vivo 24 horas com ele e sei da angústia que nós estamos passando. Eu sei o que é deitar ao lado dele e passar a noite toda me levantando para ver se ele está respirando…porque ele tem um cisto crescendo na cabeça e ninguém sabe o que é. Se a válvula não está drenando, ele está crescendo. Como uma pessoa de 72 anos vai esperar até fevereiro do próximo ano?”, questionou a esposa.
Família relata problemas durante atendimento no HGR
Além da preocupação com o tratamento, Marly questiona o atendimento recebido pelo marido no HGR.
Segundo ela, José apresentou uma nova crise e precisou ser levado de ambulância ao hospital. O casal chegou à unidade pela manhã. No entanto, segundo o relato, o setor de trauma não atendeu o paciente imediatamente.
Ainda segundo a esposa, José aguardou por várias horas o resultado do exame de sangue que a equipe coletou pela manhã.
Por volta das 16h, quando a família buscou informações sobre o exame, a equipe não teria localizado a coleta de sangue. “Doutora cadê o resultado o exame do meu esposo? Ela respondeu: vá reclamar no laboratório. No laboratório a moça disse que não tinha nada dele, somente exames do dia 9 de setembro”, detalhou.
Segundo Marly, os profissionais também não encontraram a solicitação feita pela médica que acompanhava o paciente. Além disso, outros documentos relacionados ao atendimento não foram localizados. “A doutora pegou o prontuário e escreveu evasão. Eu disse que meu marido não estava se evadindo do hospital, pois eu pedi a alta dele”, declarou, ao acrescentar “a falta de respeito é tão grande”.
Família busca respostas
Diante dos problemas relatados, a família busca esclarecimentos sobre o atendimento prestado a José e sobre a demora para realizar o exame necessário para o acompanhamento do quadro de saúde.
O caso também levanta questionamentos sobre o acesso ao tratamento especializado fora de Roraima e o tempo de espera enfrentado pelo paciente.
O que o Governo diz
A Secretaria de Saúde informou que autorizou o Tratamento Fora de Domicílio (TFD) do paciente, com direito a acompanhante, para atendimento no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP).
“A equipe do TFD realizou as articulações necessárias junto às centrais de regulação e à regulação nacional de alta complexidade, além de manter contato com a médica assistente e a família. Após a análise, o hospital de referência disponibilizou a programação do atendimento”, citou.
Ainda conforme a nota enviada à redação, a avaliação inicial está prevista para o dia 28 de fevereiro de 2027, com registro hospitalar e exames.
“A internação para realização do vídeo-eletroencefalograma está programada para 1º de março, condicionada à disponibilidade de leito no hospital”, mostra trecho da nota.
A Secretaria reforça que segue acompanhando o caso e prestando as orientações necessárias ao paciente e seus familiares.
Da Redação


