Ação realizada na Assembleia Legislativa também marca os 25 anos da Reforma Psiquiátrica no Brasil, que defende o tratamento humanizado na rede de atenção psicossocial
Em alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado nesta segunda-feira, 18, o Caps III (Centro de Atenção Psicossocial Edna Macellaro Marques de Souza) promoveu uma exposição de artes produzidas por pacientes atendidos na unidade.
A mostra ocorreu no hall de entrada da ALE-RR (Assembleia Legislativa de Roraima) e reuniu pinturas, artesanato e trabalhos confeccionados com materiais recicláveis durante atividades terapêuticas desenvolvidas ao longo do ano.
A iniciativa também marcou os 25 anos da Reforma Psiquiátrica no Brasil, movimento que defende a substituição do modelo manicomial por uma rede de atenção psicossocial baseada no acolhimento, na convivência social e no tratamento humanizado.
Segundo o terapeuta ocupacional do Caps III, Luiz Pascoal, a proposta busca apresentar à sociedade o papel da unidade no cuidado em saúde mental e a importância da expressão artística no processo terapêutico.
“Trazemos essa exposição para mostrar o que é que o Caps pode fazer por essas pessoas em sofrimento mental. Não é só um espaço de tratamento médico e com medicação, e sim deixar eles exporem seus sentimentos, expor suas expressões”, afirmou.
Ele ressaltou ainda que as atividades terapêuticas desenvolvidas no CAPS contribuem para fortalecer a autonomia e a integração social dos pacientes.
“Quando a pessoa que está no Caps em tratamento com o médico, ele é levado para as atividades de terapia ocupacional e do artesanato, para que eles possam produzir essa expressão do sentimento”, afirmou.
Uma das responsáveis pelas oficinas, a artesã Sulamy Tenente, destacou que o uso de materiais recicláveis também se tornou uma ferramenta importante para trabalhar autoestima e pertencimento.
“Trabalhamos com garrafa pet, latinha, papelão, tudo que vai pro lixo, e quando a gente transforma esse trabalho em arte, eles se enxergam nisso também, e causa um efeito maravilhoso”, destacou a artesã.
Para a paciente Andressa França, a participação nas oficinas tem contribuído para a recuperação e para o fortalecimento dos vínculos sociais.
“É um trabalho muito importante para trazer essa autonomia de volta para a gente, e nos trazer de volta para a sociedade como pessoas e a gente ser visto, e é muito bom projetos como esse para outras pessoas também enxergarem que não somos diferentes dos outros”, comentou Andressa.
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